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segunda-feira, 31 de maio de 2010

trap them - filth rations

EP de quatro temas do melhor que os Trap Them têm para oferecer. A banda volta a mostrar que é muito mais do que raiva superiormente destilada, com temas que ora seguem furiosos, estranhos e doentios, ora nos abatem perversa e lentamente para o nosso próprio fundo. A destacar a “Carnage Incarnate” que é de brutalidade e musicalidade sublime, e dá o mote para que os restantes temas lhe sigam o rasto. Não há aqui, pois, nada que se possa dar ao luxo de desaproveitar. São 14 minutos para absorver uma e outra vez, até cair no ridículo.

É por estas e por outras que os Trap Them já me ganharam o estatuto de seguidor. Falta-me vê-los num palco.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

black breath - heavy breathing


O que é simples nunca deveria sair de moda. Se houve tempos em que muitas vezes torcia o nariz a coisas elementares porque me pareciam enterradas em moldes básicos, limitados e inócuos, hoje em dia reconheço-lhes a beleza quando se vestem com alma.

Já aqui tinha mandado uns lamirés lisonjeiros sobre o EP “Razor to Oblivion”. São quatro temas que ainda hoje não me cansam e que nem mesmo o lançamento deste “Heavy Breathing” veio atenuar-lhes a chama. Não quero dizer com isto que o álbum desagua numa desilusão, nem de perto nem de longe.
De certa forma está mais colado a Entombed que o EP, com uma aura mais negra e com mais riffs a fugir para o Death Metal sujo e sueco a juntarem-se a outros com inflamados pela fúria do Hardcore até ao pescoço. E digamos que está muito bom. As partes rápidas e embutidas de testosterona continuam-me a divertir à grande e a fazer-me imaginar no meio de um qualquer desnaturado pit, e o aparecimento inteligente de temas menos balançados, mas igualmente sãos e cheios de groove, aumenta o ciclo de vida do disco. Não há temas menores, o álbum flui com uma naturalidade invejável e quando se chega ao fim, repetir a dose é instintivo.
Este álbum segue o hábito de me infligir altas doses de vício. Entretanto já nem me lembro de Entombed, Dismember e outras que tais. A qualidade que já se ouve neste álbum de estreia supera qualquer tipo de “colanço”, descarado ou não. A continuar assim e temos aqui um caso sério. Disco irresistível e a figurar, a não ser que caia meio mundo, no meu top deste ano.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

black breath - razor to oblivion


Este é um EP que saiu primeiramente em 2008 por força e vontade dos membros dos Black Breath. Recentemente, assinaram pela Southern Lord e o mesmo foi reeditado.

É fácil defender este registo e é ainda mais fácil gostar dele. Então é assim: é retro, é necro-thrash, é death’n’roll, é punk hardcore, é d-beat, É Motorhead, é Entombed, é Discharge, é Black Sabbath. 4 temas e quase 15 minutos de puro deboche musical com riffs do mais cru e contagiante que ouvi ultimamente. É um híbrido, mas ao mesmo tempo bastante simples e straight-forward que não nos dá descanso ao pescoço e nos obriga ao mesmo tempo a fazer caretas de mauzão e a soltar sorrisos de júbilo. A curta duração do EP vê a opção de repetição como uma solução bastante plausível. Impressiona como o som ainda me consegue tirar do sério após audições consecutivas.
Surpreende também função terapêutica que o disco pode desempenhar. Acaba por ser uma fonte de energia e uma óptima maneira de começar o dia. Give it a try.

domingo, 25 de outubro de 2009

converge - axe to fall


Vou fazer como este álbum e entrar a pés juntos. O início deste animal é de um flagelamento torturante capaz de partir canelas e tudo o que venha por arrasto. Chega a ser esgotante como isto me mete a cabeça a andar à roda. A “Dark Horse”, para além de ser incansavelmente bruta, tem o riff mais orelhudo que alguma vez fizeram, o que torna a coisa um completo vício. Nunca a opção repeat fez tanto sentido. Sem lugar a silêncios, se alguma vez os Slayer fizessem parelha com os Converge, sairia alguma coisa parecida com a “Reap What You Sow”. Cilindramento sonoro. Logo a seguir, a “Axe To Fall” propõe-se destruir o pouco que resta, num exercício completamente louco, distorcido e claustrofóbico. Cuidado com o pit. Imagino pessoas a trepar paredes ao som disto. O quarto tema é também um massacre, embora com proporções menos épicas, mas suficientes para me por grogue à mesma. 9 minutos de desumanidade saudável para a alma.
A seguir, o virar de página. Parecendo que não, já lá vão 19 anos. A pica de fazer um álbum sempre a abrir e caótico de princípio a fim não pode ser a mesma. Algumas das experiências um tanto ou quanto estranhas do “No Heroes” ganham aqui (melhor) forma, e um papel muito mais preponderante do que se poderia esperar. O som começa a ficar arrastado, o ambiente mais brando e taciturno, o Bannon deixa apenas de berrar, e alguns apontamentos electrónicos aparecem no mapa, de tal forma que apanhei-me a olhar para o leitor só para confirmar de que se tratava de Converge.
Se estes não eram terrenos convergianos, passaram-no a ser. Admirável a forma como os temas nunca me deixam bocejar, e como têm uma força vincadamente própria e desigual. São as duas últimas músicas, a intimista “Cruel Bloom” e a tocante e bela “Wretched World”, com a participação de membros dos Neurosis e Genghis Tron respectivamente, o reflexo máximo de uma banda que sempre procurou interiormente fazer mais e ser mais. As participações especiais neste álbum alongam-se a elementos de Disfear, Cave In e Blacklisted, por exemplo, gente, no mínimo, respeitável.
Para quem não gosta nadinha dos Converge, este disco até se pode tornar audível. Para a maioria de quem gosta deles a sério, assimilar o lado mais abstracto e pensativo da banda vai ser só uma questão de hábito. Álbum gigante de uma banda a caminho da perpetuidade.

sábado, 17 de outubro de 2009

doomriders - darkness come alive


Foi amor à primeira audição quando descobri o estreante “Black Thunder”. Nesse álbum cabia de tudo. O feeling blues, a atitude punk/hardcore, o peso do doom, a fúria do d-beat e lá pelo meio umas melodias a fazer lembrar Maiden. Era incatalogável. Era Doomriders. A expectativa sobre o que viria a seguir era por isso mais que muita. Talvez por isso o primeiro contacto com este “Darkness Come Alive” deixe um amargo de boca. Porque nos cai logo a sensação que o disco, por muito que cresça, não consegue ter arcaboiço para suster o fardo criativo anterior.
Para começar aparecem de cara lavada, com uma produção bem mais limpinha e menos distorcida, o que, quanto a mim, não vai com o espírito cru e descomprometido da banda. Apesar de ainda o fazerem, deambulam menos entre estilos e procuram, agora, arranjar um fio condutor que cole pontas soltas e torne o álbum mais homogéneo. Se calhar é a isto que chamam maturidade. Não é que isto seja necessariamente negativo ou positivo. A importância está na forma.
Ao longo de 17 temas (alguns deles são simples interlúdios), há-os bons, mas é difícil encontrar um ou mais que se destaquem imediatamente. “Come Alive” está formatado para ser single. A meiguice e a aparente inocência do som contrastam com a lírica escura de sentido e acabam por tropeçar para um doom que os tipos não sabem fazer mal. O tema “Crooked Path” é o chamado “som do c…”. A música não é propriamente nova (fez parte do Split com Disfear do ano passado), mas aparece aqui com uma roupagem mais bonita e cuidada que retira mais do que acrescenta, mas não o suficiente para que deixe de ser o tema que mais curta no álbum. Sintomático. “Lions” é uma boa surpresa. Tem uma estrutura pouco comum, com o Nate a apregoar “don’t let these fuckers grind you down / don’t let these bastards kill your soul” e a dar a estas frases meio cliché um sentido revigorado. Se todos os momentos fossem como esta tripla, ou lá perto, estávamos muito bem. Não são. O problema é mais grave quando há temas que teimam em não sair da mediania e que acabam por nos passar completamente ao lado. Por esta não esperava eu.
Sendo curto e grosso, o álbum ouve-se bem, mas é daqueles que não vai passar muito tempo na minha playlist. Valha-nos a identidade da banda que permanece intocável e inigualável. O som continua a ser Doomriders de caras, mas apenas isso não é suficiente. Melhor sorte para a próxima.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

municipal waste - massive aggressive


Abri a gaveta do armário do meu quarto e tirei uma t-shirt já velha e gasta. Fui até à cozinha e trouxe comigo um six-pack de cervejas. Pareceu-me finalmente estar preparado para as 3 primeiras audições deste álbum. Municipal Waste é sinónimo de diversão e boa música, e não esperava menos que isso deste “Massive Agressive”. No final da 2ª audição cheguei à conclusão que 3 cervejas talvez tivessem sido suficientes.
Municipal Waste é uma das bandas que mais gozo me dá ouvir. Quando “Waste’em All” ou “Hazardous Mutation” tomam lugar na minha playlist, sou rapidamente absorvido para um clima de festa e diversão, onde o tilintar entre canecas de cerveja e o som de riffs estonteantes se sobrepõem constamente.

A abertura do álbum não deixa margem para grandes dúvidas. É o velho Thrash/Crossover que se infiltra pelo nosso pescoço dentro e não deixa a cabeça parar quieta. A primeira faixa - “Masqued by Delirium” - serve como um exemplo da perfeita fusão que os Municipal Waste criam entre o Thrash e o Hardcore, e faz antever um álbum de acordo com as expectativas.
Conforme vamos avançando na audição de “Massive Aggressive” começamos aos poucos a perceber que este é provavelmente o lançamento mais sóbrio da banda. Aquele factor extra de diversão que está presente nos chamados hinos de cada álbum, continua lá, mas agora de uma forma mais subtil e muito menos insistente. Desenvolve-se um tom mais crítico perante a sociedade, e as palavras começam a sair sem estarem envoltas num bafo algo alcoolizado. Cabe a cada um de vós decidir se esta é uma boa ou má mudança, já eu, continuo a achar que este não é o tipo de banda que deve amadurecer com o tempo.
O que as letras perdem em a diversão, o quarteto americano parece ganhar em dotes musicais. A guitarra de Ryan continua a disparar riffs que deixarão muitos thrashaholics com dores de pescoço, a bateria continua a pautar momentos para os “miúdos” do Hardcore soltarem a sua energia, e de forma geral, todo o som da banda parece estar mais harmonioso do que nunca.
No entanto, há que dizer que inovação não é a palavra de ordem deste álbum. Este é um Crossover que não deixa grande espaço para novidades, e como tal, não serão poucas as vezes em que darão por vocês a pensar “eu já ouvi isto em qualquer lado”. Talvez por esta mesma razão, este não é um lançamento capaz de surpreender. Satisfaz eficazmente a sede dos fãs do género, mas duvido que algum dos mesmos se venha efectivamente a apaixonar pelo álbum.

Feitas as contas finais, podemos dizer que “Massive Aggressive” surge como o trabalho mais maduro da banda até data, o que não significa necessariamente o melhor. Por terras lusas, acredito que este álbum servirá como o aperitivo perfeito para o próximo dia 19 de Setembro, data em que os Municipal Waste tocarão em Portugal. Festa à vista!

domingo, 2 de agosto de 2009

death before dishonor – better ways to die


A julgar pelo merchandising que desfila nos corpos do pessoal em todos os concertos a que assisto, diria que a banda dispensa apresentações. Oriunda de uma das melhores escolas de Hardcore mundiais, esta rapaziada de Boston está de volta com mais um álbum que promete arrasar colunas e headphones. Enquanto uns torcerão o nariz, outros rapidamente se deixarão levar pela água que, neste álbum, lavou a cara dos Death Before Dishonor. Passemos à experiência proporcionada por este “Better Ways to Die”.

Carreguei Play. Deixei passar 10 segundos. Carreguei Pause. Tirei o iPod da bolsinha e confirmei se estava a ouvir o álbum certo. Confere, “Peace and Quiet – DBD”. Foi no mínimo estranho, começar a ouvir este álbum e de imediato mandarem-me à cara um solo de guitarra digno da entrada de uma qualquer faixa de Thrash. Estão mais rápidos do que o costume e logo isso soa-me a algo novo. A velocidade é interrompida dando lugar à guitarra e baixo a que os DBD já nos habituaram. Com isto tudo passaram-se os 75 segundos que compõem a 1ª faixa. Adorável. Não tão surpreendente quanto o inicio do CD, entramos em “Remember”, e aqui, novamente um som menos habitual. Guitarras e baixo a pautarem um mid-tempo que não é normal em DBD. Conforme a bateria acelera, as guitarras imediatamente choram uma melodia que se crava no pano de fundo e marca toda a diferença nesta faixa.
O que parecia ser uma mini revolução no som da banda, pede um desconto de tempo, e dá lugar a um trio de faixas dentro do som a que banda nos habituou nos últimos anos. Por esta altura entramos na faixa que dá nome ao álbum, que não soando a nada de novo, não deixa de soar bem. Aqui e ali vão-se notando umas influências dos conterrâneos Blood For Blood, mas nada que preocupe em demasia.
Damos agora um pequeno salto para o último par de faixas. Os dois minutos e pouco de “Bloodlust” seriam o suficiente para me fazer abrir a carteira e desembolsar umas notas para ver a banda ao vivo. Adivinham-se corpos suados e gargantas cansadas no final desta faixa. Chegamos ao fim do álbum com uma música já previamente lançada num EP de edição limitada. Mais uma faixa que puxa para cima a qualidade deste lançamento, devendo-se acrescentar uma nota de rodapé para a excelente participação de Mark Unseen que transmite um feeling brutal a este final de CD.

O que dizer mais? Não façamos das coisas aquilo que elas não são. Este não é um álbum pintado em tons de genialidade, mas numa altura em que já pouco ou nada se esperava do som de uma banda que está constantemente em tour, e que pouco ou nada parecia fazer para inovar, este “Better Ways to Die” surge de uma forma algo surpreendente. Fizeram-me sentir alguma da pica e entusiasmo com que ouvi “True ‘till Death” e “Friends, Family, Forever”, e isso, só pode ser bom sinal.

domingo, 19 de julho de 2009

reign supreme - testing the limits of the infinite


Este era sem dúvida o lançamento de 2009 que mais me criava água na boca. O alarido originado pelo “American Violence” fazia prever, e de que maneira, um full-length álbum de completa afirmação para os meus conterrâneos Reign Supreme. Vou colocar um pé atrás e afirmar que, efectivamente, a missão foi cumprida.

Seja ela a direcção certa ou errada, os Reign Supreme dão aqui um passo rumo a um Hardcore mais acessível ao ouvido. Quase diria que este “Testing the Limits of the Infinite” se apoia na já conhecida bengala, onde se encontra inscrita a palavra mainstream. Será que isto faz deste álbum um mau lançamento? Não. Longe disso. Ainda que mais genérico e menos surpreendente, este novo trabalho dos Reign Supreme está repleto de apontamentos brilhantes.
Ao longo de 13 faixas é-nos apresentado um autêntico melting-pot de estilos, e é esta mesma fusão de estilos que desenha a imagem dos Reign Supreme para 2009. Uma elevada vivacidade metálica ritmada por guitarras ora mais simples, ora mais complexas, breakdowns para dar e vender, toadas melódicas e dançáveis, enfim, toda uma mescla de sonoridades que parece actuar em perfeita harmonia.
O álbum arranca com a pujança toda, dando imediatamente um gostinho do que se pode esperar nas faixas seguintes. Tudo extremamente bem tocado, com as notas a encaixarem umas nas outras de forma quase perfeita.
Bom era se todas as faixas acrescentassem algo a este álbum. Não é o que acontece. Como disse, ainda que tudo seja bem feito, facilmente damos por nós a sentir aquela sensação de deja vú, o que só pode significar que os Reign Supreme não se quiseram aventurar em demasia no campo da inovação e originalidade. Ainda assim, faixas como “To Live and Die (In Vain)” ou “And Come What May”, não podem deixar de ser consideradas pequenos mimos para os ouvintes.
De salientar, é a voz de Jay, que, a meu ver, consegue subir ainda mais de qualidade, revelando-se este vocalista como, provavelmente, um dos melhores da actualidade nestas lides. Ainda a cargo do mesmo, ficou a construção das letras deste álbum. Aqui, mais uma vez, este senhor dá um ar da sua graça. Letras introspectivas, com sentimento e altamente inspiradoras. Não menosprezando o valor do resto dos elementos da banda, penso que apenas o baterista sucede em colocar-se ao mesmo nível de Jay no que respeita ao contributo para este álbum. Temos uma bateria enérgica mas sobretudo imaginativa. Uma mais-valia em qualquer faixa que se oiça neste CD.

“Testing the Limits of the Infinite” cumpre com os objectivos da banda. Quem comprar vai gostar, quem o ouvir ao vivo vai-se mexer. O nome Reign Supreme torna-se cada vez mais uma certeza no Hardcore. Para mim, talvez uma certeza excessiva.

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sábado, 4 de julho de 2009

please die! - on this cross


Deixemo-nos ir nesta onda de 2009. Novas bandas, lançamentos interessantes, público que agradece e corresponde com a sua presença em concertos. Os Please Die! não quiseram fugir à regra e, com este seu primeiro lançamento, conseguiram dar um ar da sua graça, acrescentando algo à cena Hardcore nacional.

Neste “On This Cross” são-nos apresentadas 6 faixas onde a palavra de ordem é melodia. Não diria que estamos perante verdadeiros tecnicistas das guitarras, mas numa contextualização adaptada ao território nacional, estamos perante um som mais técnico e trabalhado que o habitual.
O EP arranca com um aquecimento às cordas do baixo e guitarra, num pequeno instrumental de cerca de 1 minuto e pouco. As restantes 5 faixas apresentam construções diferentes que contribuem para alguma diversidade dentro do album, evitando que o mesmo se torne aborrecido. “Along Came Death” surge como a música mais complexa deste EP, variando entre partes lentas e momentos de uma maior rapidez. Já em “Mistakes Made” e sobretudo em “No Goodbyes”, somos confrontados com um Hardcore mais de peito para a frente. Músicas curtas, com inícios a rasgar, salpicadas aqui e ali por momentos mais dançáveis sempre tocados numa toada melódica. Sobram a “On this Cross” e ainda a “Louder than Words”, ambas faixas bem conseguidas, a primeira com participação de Poli (Devil in Me) e a segunda com a contribuição de David Rosado (vocalista de Broken Distance e man in charge da Salad Records, editora que possibilitou este lançamento). Constantes ao longo de todas as faixas, são os group vocals, que acabam por se encaixar bem dentro do espírito que as músicas transmitem.
As letras, na sua maioria, apresentam um carácter pessoal e intimista, o que, na minha opinião, marca sempre pontos a favor das bandas. De salientar ainda a qualidade da produção deste lançamento, que sendo o primeiro da banda, se apresenta bastante polido, proporcionando uma audição de nível superior.

“On This Cross” é mais um bom registo para Hardcore nacional no ano que corre. Merece, sem dúvida, uns minutos da vossa atenção, mais não seja, pela vontade e paixão com que estes rapazes se entregaram a este projecto.

Myspace

domingo, 21 de junho de 2009

true colors - rush of hope


Não é com muita frequência que me deixo seduzir por álbuns de bandas na onda do Youth Crew, mas o que é facto, é que estes senhores conseguiram, mais uma vez, fazer um excelente trabalho, colando-me, durante dias e dias, a este seu novo álbum.

Banda de origem belga, os True Colors viram a sua história começar à não muito tempo atrás. Entre 2004 e 2005, um ex-guitarrista de Justice (logo aqui a vossa atenção deve redobrar) decidiu juntar uma rapaziada amiga e criar uma nova banda Straight Edge. As coisas começaram a correr de feição para a banda, e hoje, com o seu novo “Rush of Hope”, a banda conta já com dois full-length álbuns e uns quantos outros lançamentos de menor dimensão.

Não competia à banda trazer algo de revolucionário, mas sim algo com qualidade, e sobretudo que transparecesse o sentimento com que toca. O álbum arranca com a intro da praxe, e rapidamente se desenvolve para uma peça musicalmente consistente e até capaz de surpreender. Bem ao estilo do Youth Crew, as faixas são rápidas e enérgicas, se bem que a certo ponto do álbum me vi embrulhado em ritmos mais lentos, que metem de parte a necessidade de uma intervenção rápida, e se deixam pautar única e exclusivamente pela transmissão clara da riqueza das letras. Aqui, encontramos um pequeno ponto de viragem na maneira como a banda desenha a sua música. Como manda a lei, continuamos a poder ouvir as habituais palavras de inconformismo perante a sociedade e tudo aquilo que nos rodeia, mas agora, para além disso, temos também faixas ligeiramente mais longas e lentas, cantadas num tom bem mais pessoal e emotivo, o que, na minha opinião, veio enriquecer a música destes True Colors, salpicando este seu novo álbum com uma maior diversidade sonora.

São cerca de 20 minutos de música, onde ideais de uma filosofia de vida se fundem com o Hardcore, originando um lançamento aconselhável para todos aqueles que seguem de perto o Youth Crew. Se é de Cores Verdadeiras que aqui falamos, então, desde já invoco o Verde que consigo carrega a esperança de um dia poder ver esta banda ao vivo por terras lusas.


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sexta-feira, 22 de maio de 2009

hoods - pit beast


Continuam reais. Continuam fiéis à cultura que os viu crescer. Os rapazes de Sacramento voltaram, e nas costas carregam o peso de um novo álbum, de seu nome “Pit Beast”. Hardcore que conhecemos, mas sobretudo, o Hardcore a que nos habituaram.
Encabeçados pelo convenientemente chamado Mike Hood, os Hoods contam já com cerca de 15 anos de historial. Por entre vários lançamentos e tours com os melhores nomes da cena Hardcore internacional, estes rapazes conseguiram já, pelo menos, fazer o nome da sua banda figurar nas páginas que contam a história deste género musical.
As cerca de duas ou três opiniões que me tinham chegado sobre este novo álbum, não me deixaram particularmente motivado para o ouvir, mas o que é certo, é que ficaria a dar voltas na cama se não tirasse uns minutos do meu tempo para formar a minha própria opinião. Digamos que não foram minutos mal gastos!

Se tão à espera de algo inovador, capaz de redefinir o género, ou simplesmente de trazer apontamentos nunca antes ouvidos, esqueçam. Como disse, é o Hardcore a que nos habituaram. Um menu de 11 temas que nos serve faixas rápidas, agressivas, e que sobretudo deixa transparecer o gozo com que a banda continua a fazer música, sendo o título da faixa “Let’s Have Fun” bastante elucidativo desse prazer. Podem cá andar mais 15 anos que duvido que nos tragam algo diferente do que aquilo que aqui ouvimos, mas sinceramente, não creio que precisem de o fazer. As peças estão bem oleadas, tudo funciona da melhor maneira, e o resultado acaba por ser inevitavelmente bom. Talvez não tão excitante como títulos de outros tempos, mas ainda assim, suficientemente bom para não desiludir os fãs.

“I wanna circle pit, I wanna circle pit, I wanna circle pit! Mosh, mosh, mosh, mosh!”
A sonoridade do álbum não deixa esconder as influências da escola da velha guarda de New York, facto pelo qual eu agradeço. Fazendo jus ao nome do CD, as faixas parecem ter sido especialmente preparadas para aqueles que gostam de se mexer em concertos. Entre as rápidas moshparts e os furiosos breakdowns encontram-se ainda várias partes 2-Step, que, aliadas aos constantes gangshouts espalhados por entre as faixas, evitaram que me aborrecesse enquanto ouvia o álbum.
Numa altura em que a cena Hardcore parece cada vez mais angariar os chamados fashion victims, Mark Hood faz deste álbum um meio para canalizar todo seu descontentamento perante esta situação. Em faixas como “Punk’s Dead – Emo Kids Next” ou “Nunchuck”, as letras insurgem-se contra aqueles que fazem das suas roupas o seu Hardcore, e ainda contra aqueles que, após muito treinarem frente aos espelhos lá de casa, fazem dos seus melhores movimentos em concertos, a fonte de todo o seu status.
O álbum termina com uma bonita dedicatória ao duo composto por Vinny Stigma e Roger Miret de Agnostic Front, em que os Hoods nos apresentam uma cover da imortal “Friend or Foe”.

Não tão bom quanto um “Pray for Death”, este “Pit Beast” entreteve-me o suficiente para me fazer escrever esta pequena review. Não podendo prometer-vos nada de extraordinariamente bom, acho que quem tem acompanhado o percurso da banda, deve sem dúvida tirar algum tempo para ouvir este álbum. Já aqueles que não a conhecem, têm aqui uma boa oportunidade para o fazer, podendo depois passar à exploração dos registos mais antigos da banda.

domingo, 10 de maio de 2009

boxcutter - the Ill testament

Hoje trago-vos um registo algo diferente daquilo a que já se habituaram a ver por aqui. Chama-se “The Ill Testament” e é o mais recente trabalho dos Boxcutter. O álbum foi lançado no inicio de Abril, mas só agora tomou lugar na minha lista de prioridades musicais.

Para quem não conhece, os Boxcutter são uma banda composta por alguns nomes já conhecidos da cena Hardcore internacional, indo o maior destaque para Mad Joe Black (Wisdom in Chains e Out to Win) e ainda James Ismean (Fury of Five). Se por um lado o som destes senhores consegue despertar grandes paixões, por outro, existe também muito boa gente que os acha insuportáveis. Facto é que dificilmente se fica indiferente a esta mistura de Hardcore e Hip-Hop que, com algum sucesso, os Boxcutter têm vindo a produzir ao longo dos anos. Após o lançamento de dois álbuns, “The Ill Testament” chega-nos como o trabalho mais bem polido da banda até à data, não sendo a maior qualidade na produção, suficiente para fazer deste o melhor álbum dos também auto-proclamados “Kings of Thugz”.

Seguindo a linha do “Pitbull Ways”, podemos esperar o chamado thugcore que caracteriza o som banda. A música continua a ser feita com coração, os vocalistas continuam a “cuspir” o seu Rap com um estilo próprio, que ao longo do álbum é alternado e mixado com a ferocidade do Hardcore. Presentes estão também faixas unicamente compostas por beats e vocals, onde, tendo que apelar à minha sinceridade, devo dizer que o resultado me parece ser algo desastroso. As faixas de Hip-Hop que aqui se fazem sentir parecem-me excessivamente forçadas e demasiado previsíveis, o que, a mim, tirou grande parte do entusiasmo com que à partida comecei a explorar este álbum. Haverá quem as ache comestíveis no enquadramento geral do CD mas poucos serão aqueles que se sentirão realmente motivados com estes registos. Em contraste surgem-nos malhas como “Crown Of Rightousness”, “History Lesson Pt.1” ou “Get Up”. Estas sim, artilhadas com guitarras musculadas, fazem aquilo que lhes compete, vincando o estilo dos Boxcutter e fazendo as delícias dos fãs da banda. Destaque para a primeira, em que a voz é repartida por mais um rapazote que se mostra cheio de garra, sendo esta faixa possivelmente um dos pontos mais altos deste álbum.

Numa avaliação geral este é um álbum bastante decente. Em minha opinião não consegue ser suficientemente bom para suplantar o “Pitbull Ways” lançado em 2003, no entanto, este novo lançamento dos Boxcutter é suficiente para manter os amantes do género entretidos durante umas quantas audições. Aqueles que nunca foram à bola com o som da banda, continuarão a não fazê-lo, mas já aqueles que gostaram dos álbuns anteriores, sem dúvida devem dar uma olhadela neste novo trabalho.

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domingo, 26 de abril de 2009

pulling teeth – paranoid delusions/paradise illusions


Após duas violentas descargas de Thrash/Hardcore e de terem, assim, conquistado um lugar ao sol no underground canadiano, os Pulling Teeth mudam-se agora para paragens mais demoradas, mais contemplativas, sem nunca perderem o rumo à raiva. No fundo, concretizam algumas das ideias deixadas no ar no último registo, “Martyr Immortal”, de peito aberto para as balas que se adivinham por parte da malta que chora cada vez que a “sua” banda experimenta fazer algo de diferente.

Se a veia metálica destes rapazes já palpitava nos anteriores trabalhos, neste “Paranoid Delusions/Paradise Illusions” esta torna-se por demais evidente e chega a encostar a um canto a outra, a Hardcore. A toada lenta da faixa inicial, “Ritual”, suou-me muito bem, antes sequer de me soar estranha. Embora atropelado por uma cavalgada capaz de fazer corar algumas bandas Thrash que por aí andam, o ritmo teima em desacelerar para jurisdições onde o Doom é rei e tem como servos sintetizadores que ajudam a tornar a coisa mais épica. Pesado e lúgubre, serve de baloiço para as nossas cabeças. É por estes lados que passeamos, até que surge “Bloodwolves”, um senhor tema que nos faz lembrar, para o caso de nos termos esquecido, que os Slayer rockavam forte e feio. Esta doidice acaba por dar lugar a uma das melodias mais tranquilizantes e, ao mesmo tempo, mais inspiradas do álbum. Era este o melhor tema do álbum, não fosse uma coisinha estranha chamada “Paradise Illusions”, aparecer-me pela frente. 9 minutos de alienação musical que começam com pássaros cantores, passam por berros de dor e desespero, e acabam numa explosão de Doom ao nível do melhor que ouvi este ano, adornado com solos que só fazem é bem à saúde. Depois vem a maior (única?) pecha do álbum. Passados cerca de 25 minutos e apenas 5 músicas, o dito acaba de forma quase que cruel para quem ainda ia a meio da viagem. Para este caso, a opção de repeat parece ser a melhor solução, até porque me parece que este é daqueles exemplares com capacidade para perdurar algum tempo na nossa playlist.

Este álbum é um ás de trunfo puxado na altura certa. Um grito de maioridade. Uma posição de diferença. Embora a voz do Mike Riley não nos deixe esquecer as raízes core da banda, a verdade é que os Pulling Teeth não se quiseram acomodar a um estilo que já lhes tinha granjeado alguma notoriedade. A atitudes destas, brindo eu.
No Hell. No Heaven. It´s all just illusion.

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domingo, 12 de abril de 2009

your demise - ignorance never dies



As colunas do meu quarto tiveram que se cansar deste álbum antes que eu pudesse escrever o que quer que fosse sobre o mesmo. Demorei algum tempo para me decidir se realmente deveria, ou não, escrever sobre este álbum, mas o que é certo, é que aqui estou, e é com grande prazer que vos apresento "Ignorance Never Dies" dos Your Demise.

Vindos directamente da "terra de sua majestade", os Your Demise são um grupo de 5 jovens que conta já com alguns EP’s e várias tours no seu currículo. Apesar de serem uma banda com pouco mais de 6 anos de existência, os Your Demise passaram já por várias, e significantes, alterações de line-up, o que, em circunstância alguma, afectou a qualidade do trabalho desenvolvido. Com alguma previsibilidade, "Ignorance Never Dies" surge como o melhor registo da banda até à data.

Este é um álbum, que na sua maioria, não acrescenta muito àquilo que já foi feito por outras bandas, mas que, ainda assim, revela alguns apontamentos e pormenores dignos de registo, podendo qualquer ouvinte esperar uma produção de qualidade superior.
Um Hardcore poderoso, que de peito para a frente, devasta tudo à sua passagem. Alternando entre o peso de tempos mais lentos, e períodos de uma rapidez destruidora, este álbum oferece-nos a banda sonora ideal para dias em que a fúria se apodera de nós, e a vontade de destruir algo nos começa a correr nas veias.
Assim que a música começa, somos apresentados à faixa que dá o nome ao álbum, que em minha opinião, pouco ou nada faz para além de introduzir as 13 faixas seguintes.
Já merecedora de um clip catita, segue-se a “Burnt Tongues”, que marca em definitivo o início do álbum. Uma faixa bem conseguida, que nos seus períodos mais melódicos, me fez lembrar o som dos Comeback Kid (quiçá influências que despertaram durante a tour conjunta que as bandas fizeram).
A voz do vocalista, acompanhada de alguns momentos de group vocals, entrega a mensagem da forma que se exigia. Uma voz forte e furiosa que facilmente vai ecoando por entre o rasto de destruição que bateria, guitarras e baixo vão deixando para trás.
O álbum prossegue com algumas faixas de nível mediano, interrompidas aqui e ali, por outras de um nível mais sedutor.
Chega a altura de falar sobre o apontamento que, de forma corajosa, a banda decidiu introduzir no álbum. A ousadia da banda consistiu em fazer um convite a 3 amigos produtores nas áreas do Dubstep e do Drum&Bass, para que estes participassem no seu novo álbum. Basicamente são 3 interlúdios encaixados estrategicamente por entre o resto das faixas. Um mais curto, que praticamente nos passa despercebido, e dois maiores que naturalmente “dão mais nas vistas”, e que a meu ver, abrem as duas melhores faixas do álbum – “The Clocks Aren’t Ticking Backwards” e “Black Veins”. A primeira vez que os loops e samples interromperam a brutidade do álbum, estranhei. A ideia do crossover entre Hardcore e este tipo de som pareceu-me um disparate, se bem que neste caso, não é de crossover que se trata, pois estes 3 momentos do álbum não têm qualquer intervenção por parte dos elementos da banda. Decidi então que tinha que largar o meu lado mais conservador, e inevitavelmente, acabei por me render à qualidade e à diversão que estes novos elementos vieram acrescentar ao álbum. O que a alguns puritanos do Hardcore poderá soar completamente descabido, a mim, acabou por trazer uma satisfação acrescida na audição deste álbum. Arriscaram bem!

Estoirem as colunas da vossa casa, ou os phones nos vossos ouvidos, e daqui a 3 meses, aproveitem para ver a banda ao vivo, que tem já duas datas agendadas para Portugal. Hurray!

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